Temporada de chuvas evidencia cuidados com para-raios

Ainda que o equipamento tenha o uso tão difundido, muitas dúvidas e mitos ainda o cercam. Segundo Osmar Pinto Jr., coordenador e pesquisador do Grupo de Eletricidade Atmosférica (ELAT) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a primeira coisa que as pessoas precisam entender qual a proteção garantida por cada exemplar. Ele explica que isso deve ser pensado como um cone, cuja ponta parte da extremidade superior, formando um raio do mesmo tamanho desta altura no chão. — Se o para­raios está a 25 metros de altura, então a área protegida no chão terá um raio de 25 metros — frisa ele. E como a área protegida é como um cone, este raio vai afunilando de baixo para cima. Essa informação é muito importante para quem pensa que o para­raios do prédio vizinho garante a segurança. — Para se ter uma ideia, na maioria dos prédios formados por dois blocos, um não protege o outro. Então, cada um tem que ter sua própria proteção — ilustra Osmar, acrescentando que alguns não são suficientes nem para cobrir toda a parte mais alta do próprio edifício. — Nestes casos, pode­se usar hastes condutoras ao redor de toda a borda superior para proteger as marquises e quinas.. CUIDADOS EXTRAS Um segundo ponto frisado pelo pesquisador é que a proteção nunca é de 100%. Logo, os cuidados básicos continuam indispensáveis. — É o caso de julgar seguro permanecer na piscina do prédio durante uma tempestade por causa do para­raios. Isso seria um risco — exemplifica ele, lembrando também que aparelhos conectados à eletricidade e cabos de telefone e internet também precisam ser desplugados, já que o equipamento não faz esse tipo de proteção. Dito isso, Osmar afirma que os condomínios devem ser muito criteriosos na hora de contratar uma empresa para fazer as instalações. Segundo ele, há companhias que, por má­ fé ou incapacidade técnica, não fazem a instalação completa.

É o caso de instalarem só o captor (haste que fica no topo das edificações) sem o cabo de descida que leva a descarga para debaixo da terra. Quando isso acontece, o equipamento perde a função — alerta ele. Ele também explica que, para funcionar adequadamente, o para­raios tem que ter dez cabos de cobre conduzindo a eletricidade para debaixo da terra. E algumas empresas instalam menos para economizar. — Quando isso acontece, a descarga pode voltar pelo captor, gerando faíscas capazes de danificar antenas, por exemplo — acrescenta ele. — Por isso é fundamental verificar as referências da empresa e se certificar de que há um engenheiro responsável. O presidente do Conselho de Engenharia e Agronomia do Rio (Crea­RJ) e engenheiro eletricista Reynaldo Barros lembra que o Código de Segurança contra Incêndios e Pânico, fixado pelo Decreto Estadual 897 de 1976, determina como obrigatório o uso de para­raios ou Sistemas de Proteção de Descargas Atmosféricas para prédios com mais de 30m de altura no Rio. — A instalação precisa ser verificada por um profissional habilitado, com registro no CreaRJ e a devida Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) junto ao órgão, que verificará a resistência de aterramento, através de medição, as condições de conservação da estrutura de captação das descargas atmosféricas, e a estrutura de condução destas descargas até o aterramento — afirma o engenheiro.

Barros alerta ser comum os condomínios adquirirem um sistema de proteção atmosférica, e depois não verificar o estado de conservação. — Esta verificação deve ser anual e também deve ter a ART junto ao Crea­RJ — enfatiza ele. — O problema mais recorrente é a falta de aterramento causada por problemas de conexão entre o cabo de descida e a malha de aterramento. Essas ligações podem sofrer danos causados por descargas atmosféricas sobre o para­raios, as quais danificam a estrutura de descida ou de captação. FALTA MANUTENÇÃO O engenheiro e diretor da Delphi, David Gurevitz, que é especializado em engenharia e medicina do trabalho, diz que, baseado na experiência dele, mais de 90% dos para­raios no Rio não recebem a manutenção adequada. — Constatamos também muitos erros nas instalações de antenas e outros equipamentos fixados acima dos para­raios. Com isso, a proteção passa a ser a tal antena, que irá transmitir qualquer raio direto para as instalações elétricas da edificação, causando riscos de acidentes — alerta ele. Gurevitz acrescenta que os sinais de desgastes mais comuns são corrosão nos cabos, nos isolantes e também afastadores quebrados.

 

Fonte: http://oglobo.globo.com/rio/temporada-de-chuvas-tempestades-evidencia-cuidados-com-para-raios-20907720

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